Mudança social sob a ótica de etnografias conjugadas a métodos estatísticos: ferramentas de Pierre Bourdieu em mundos rurais na Argélia e no Nordeste do Brasil

Autores

  • Afrânio Garcia Jr. École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) – Paris, França https://orcid.org/0000-0002-3373-7100
  • Marie-France Garcia Parpet Institut National de la Recherche Agronomique (INRA) e École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) – Paris, França

DOI:

https://doi.org/10.36920/esa-v30-2_st02

Palavras-chave:

Pierre Bourdieu, estatísticas, etnografias, pós-graduação, plantations canavieiras, modos de dominação, trabalho, hierarquias sociais

Resumo

O artigo inicia com o exame da associação inabitual de etnografias sobre o mundo rural da Cabília com métodos estatísticos, por ocasião das pesquisas pioneiras de Pierre Bourdieu na Argélia, nos anos 1960. Esses trabalhos serviram de fonte de inspiração para as investigações sobre as grandes plantações canavieiras no Nordeste, efetuadas por jovens docentes e estudantes inscritos em Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional (MN). Diante da ameaça de fim desse curso superior por interrupção dos financiamentos internacionais, novo projeto de pesquisas coletivas foi concebido por professores e estudantes para a salvação do PPGAS, em que a referência às obras realizadas na Argélia foram centrais para legitimar o uso de métodos antropológicos no estudo de questões habitualmente analisadas por economistas e cientistas políticos. Esse ponto foi decisivo para obter novos patrocinadores à pós-graduação baseada em pesquisas. Os autores sintetizam as investigações realizadas no quadro do projeto “Emprego e mudança socioeconômica no Nordeste”, sua contribuição para melhor entender o mundo rural no Brasil, e revelam como permitiram a intensificação do diálogo com Bourdieu e sua equipe na França e o desenvolvimento de modos de cooperação científica originais. O desenraizamento maciço das clientelas que viviam no seio das plantations açucareiras, expulsas para periferias das cidades desde os anos 1960, aprofundou a hierarquia implantada com a instalação de casas-grandes e de senzalas.

elocation-id: e2230208
Recebido: 9.jul.2022 • Aceito: 17.out.2022 • Publicado: 2.dez.2022
Artigo original / Revisão por pares duplo-cego / Acesso aberto

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Biografia do Autor

  • Afrânio Garcia Jr., École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) – Paris, França

    Pesquisador da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), Paris, França. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pós-doutor na EHESS sob a direção de Pierre Bourdieu.
    afranio-raul.garcia@ehess.fr
    https://orcid.org/0000-0002-3373-7100
    http://lattes.cnpq.br/7494834418602532


  • Marie-France Garcia Parpet, Institut National de la Recherche Agronomique (INRA) e École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) – Paris, França

    Pesquisadora do Institut National de la Recherche Agronomique (INRA) e do Centre européen de sociologie et de science politique da École des Hautes Études en Sciences Sociales (CESSP/EHESS), Paris, França.
    garciaparpet@gmail.com

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Publicado

07-12-2022

Edição

Seção

Seção Temática "Os usos da teoria de Pierre Bourdieu e os estudos rurais brasileiros", organizada por Arilson Favareto (UFABC) e Rodrigo Constante Martins (UFSCar)

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