Os vazanteiros, a agricultura de vazante e as barragens da destruição no Médio Rio Tocantins:

perspectivas etnoecológicas

  • Vonínio Brito de Castro Instituto Federal do Tocantins
  • Flávio Bezerra Barros Universidade Federal do Pará
  • Rosa Elizabeth Acevedo Marín Universidade Federal do Pará
  • Nirvia Ravena Universidade Federal do Pará

Resumo

As sociedades humanas distinguem-se no modo de viver e lidar com a natureza, enquanto a sociedade ocidental busca a todo custo exaurir os recursos naturais, os vazanteiros-pescadores do médio Tocantins lidam com a natureza sustentados no respeito recíproco. O propósito neste texto é pontuar e analisar as particularidades associadas a um sistema de cultivo milenar, exercido e denominado de agricultura de vazante ou “Vazantes”. Os dados foram coletados entre 2007 e 2017 no âmbito do mestrado e no desenvolvimento da tese de doutoramento concluída no início de 2018, por meio da observação participante e entrevistas semiestruturadas e não-estruturadas. Os resultados mostram que os vazanteiros-pescadores exercem o cultivo nas vazantes sob particularidades próprias que incluem medidas específicas entre covas, número de sementes, tabus, trocas e reciprocidades inerentes no cultivo agrícola e relações sociais que conformam seus modos de vida local. Além de sustentável, nesse modo de cultivo, a terra parece os compreender e eles também parecem entender a terra e suas limitações, a ponto de plantar somente os cultivares que melhor se adaptam a cada solo. A realidade local mostra que os vazanteiros, seus costumes e tradições têm sido endereçados em uma agenda que parece promover, a qualquer custo, seu desaparecimento nos próximos anos. Isto se deve ao aumento incondicional das barragens e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) nos rios nacionais, sobretudo nas últimas décadas. Torna-se cada vez mais claro para nós, que esse fenômeno conhecido por agricultura de vazante possa estar com os dias contados no Brasil.

Biografia do Autor

Vonínio Brito de Castro, Instituto Federal do Tocantins

Doutor em Antropologia pela Univesidade Federal do Pará (UFPA) e professor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO). E-mail: voninio@ifto.edu.br.

Flávio Bezerra Barros, Universidade Federal do Pará

Professor dos Programas de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA) e Antropologia (PPGA) da UFPA, e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. E-mail: flaviobb@ufpa.br.

Rosa Elizabeth Acevedo Marín, Universidade Federal do Pará

Doutora em História e Civilização pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (França), pós-doutorado na Université de Québec à Montreal (Canadá) e no Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine – IHEAL (França) e professora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU) do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da UFPA.. E-mail: rosaacevedomarin@gmail.com.

Nirvia Ravena, Universidade Federal do Pará

Doutora em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), professora do PPGDSTU da UFPA e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. E-mail: niravena@gmail.com.

Publicado
2018-04-28
Seção
Seção Temática